3º Trimestre 2017

Caro (a) cliente,

Nosso objetivo com este relatório é comentar sobre as alterações feitas no portfólio durante o terceiro trimestre do ano, discutir algumas de nossas convicções e compartilhar algumas novidades sobre a GEO. Encerramos o 3º trimestre de 2017 com um resultado positivo de 2,5% e acumulado de 12,6% no ano. Nos últimos 12 meses, nossa rentabilidade foi de 20,1% em dólar (1).

(1) Estes valores e todos os outros citados neste relatório são baseados em dólares americanos (USD).

ALTERAÇÕES NO PORTFÓLIO

Nosso portfólio sofreu alterações marginais no trimestre, sendo que 5 empresas se valorizaram em mais de 10% no período. Destas, vale destacar Mastercard, Moody’s e Visa, que apreciaram 18%, 16% e 13%, respectivamente. Das 10 empresas que mais se valorizaram nesse trimestre, a apreciação média foi de 11,4%. No gráfico a seguir, podemos observar quanto cada empresa contribuiu para a rentabilidade.

GRÁFICO 1. CONTRIBUIÇÕES PARA A RENTABILIDADE NO TRIMESTRE

gráfico 1. contribuição

Moody’s foi a empresa que mais contribuiu para nosso resultado, pois se manteve como uma das maiores posições em todo o período. Compramos duas empresas novas ao longo trimestre: LVMH e Berkshire Hathaway, que entrou no portfólio pela primeira vez. Além disso, vendemos totalmente duas empresas ao longo do trimestre, Boeing e Rockwell Collins, por acreditarmos já termos capturado grande parte do retorno potencial no médio prazo.

Apesar das mudanças, nossas cinco maiores posições se mantiveram as mesmas desde o último trimestre: Walt Disney, Moody’s, Intercontinental Exchange, American Express e Capital One. Queremos dar destaque para Disney, que passou a ocupar a maior posição da carteira. Não por coincidência, foi a empresa que mais prejudicou a rentabilidade do trimestre, mas reforça nosso mandato de comprar empresas de qualidade quando estão baratas.

THE WALT DISNEY

Ao longo do trimestre, o preço da ação de Disney caiu cerca de 5% sem que alterássemos nossa visão de longo prazo, aumentando o potencial de ganhos no futuro. Acreditamos que seja um bom investimento pois enxergamos um retorno potencial médio de aproximadamente 15% ao ano em dólar (2).

A queda no preço da ação reflete uma descrença generalizada do mercado sobre a capacidade da companhia de gerar receita de publicidade no futuro. Uma das preocupações por trás disso é a potencial perda de audiência em função de um cenário competitivo mais acirrado com a entrada de outros competidores que fornecem conteúdo “on-demand”, como Netflix, Twitter, YouTube e Amazon Prime. Isso acarretaria menores receitas de publicidade no futuro.

Outra preocupação do mercado se deve ao canal de esportes da Disney, a ESPN. A grande questão é se a empresa vai conseguir renovar suas licenças de transmissão das ligas esportivas (NBA, NFL, NHL etc) a um preço possível de ser rentabilizado em um cenário de queda de assinantes, por conta da chegada de competidores com outras ofertas de mídia e entretenimento e do alto custo de assinatura.

(2) Este cálculo consiste num dado interno extraído com base no trabalho de análise e em nossas projeções futuras para a empresa.

Na GEO, nós reconhecemos esses riscos, mas ainda vemos essa mesma situação de uma maneira diferente. Em primeiro lugar, é importante frisar que o grande valor do mercado de mídia e entretenimento está no conteúdo, que é um dos pilares mais fortes da Disney – a companhia é referência do setor em conteúdo infantil e de esportes. A empresa tem uma capacidade muito alta tanto de criar conteúdos novos, quanto de reciclar conteúdos antigos, como fez com o filme A Bela e a Fera, por exemplo. Adicionalmente, a empresa consegue explorar sua biblioteca de personagens por diversas maneiras: seja criando uma atração num parque temático ou resort, uma nova série sobre algum personagem ou produtos para serem vendidos em suas lojas. Em resumo, acreditamos que a Disney possui um ecossistema único de monetização de conteúdo, e nós vemos muito valor nisso.

Além disso, recentemente a Disney fez um movimento que reflete, na nossa opinião, a cultura de pensar no longo prazo da empresa. Em agosto, a Disney anunciou que sairá da plataforma do Netflix, pois acredita não ser remunerada adequadamente pela qualidade de seu conteúdo, e lançará seus próprios serviços de streaming on demand, tanto de conteúdo infantil quanto esportivo. Reconhecendo que isso pode ter um impacto negativo no curto prazo, vemos isso como um movimento que deve gerar valor e trazer ainda mais diferenciação à Disney no longo prazo.

Sobre ESPN, especificamente, acreditamos que apesar do risco de a empresa ter que pagar um valor maior pela renovação das licenças de transmissão, o objetivo principal das ligas esportivas é aumentar a exposição do esporte ao público, mais do que maximizar o ganho de um ciclo de renovação. Deste modo, nossa visão é de que a ESPN, ainda assim, deve continuar sendo um dos maiores canais de esporte existentes.

Por essas razões, continuamos acreditando que a empresa é de ótima qualidade e decidimos aumentar nosso investimento, respeitando nosso processo de análise. Investir mais neste momento realmente traz um desconforto e pode parecer contra intuitivo, mas nossa experiência passada e trabalho constante de criar interações com a empresa nos trazem respaldo para tomar essa decisão.

GRÁFICO 2. INTERAÇÕES COM DISNEY

gráfico 2. interações

Assim como estamos com Disney agora, temos outros casos de empresas que passaram pelo mesmo processo e nos trouxeram grandes retornos, como Tiffany e John Deere. Essas empresas valorizaram pelo menos 50% desde junho de 2016 (3).

Inclusive, no nosso evento anual de 2016, dedicamos um momento para tratar especialmente sobre esse desconforto com Tiffany e John Deere. A “dor de estômago” para comentar sobre essas empresas era parecida com a que sentimos hoje com Disney, pois representavam grandes detratoras de performance e estavam sendo bastante questionadas pelo mercado. Confiamos no nosso processo e fomos bastante beneficiados com o resultado. No evento deste ano, em agosto, as duas foram apresentadas entre as empresas que mais contribuíram para nossa performance entre junho de 2016 e junho de 2017.

(3) Valorização considerando o preço da ação em 30 de junho de 2016 com o preço da mesma em 29 de setembro de 2017.

ATUALIZAÇÕES SOBRE A GEO

Com o intuito de ampliar as oportunidades de investimentos ao público brasileiro, lançamos um novo fundo – GEO Empresas Globais FIC FIA IE – que já está disponível na plataforma de distribuição da XP Investimentos e permite que as pessoas invistam com uma aplicação inicial de 25 mil reais. Além disso, criamos uma área de Marketing na GEO, a fim de estabelecer uma comunicação que desmistifica investimentos fora do Brasil em empresas globais de qualidade, trazendo mais informação e transparência a investidores. Luca Jardim é o nosso integrante que está responsável por essa área.

Gostaríamos também de compartilhar algumas atualizações sobre o nosso time. Desde agosto, contamos com a colaboração de dois novos integrantes: Bernardo Vega e Gustavo Aranha. Bernardo entrou no time de operações para ocupar a posição de controller do portfólio. Formado em Engenharia Metalúrgica pela Escola Politécnica, Bernardo possui ampla experiência prévia no mercado de capitais com passagens pela Tarpon Investimentos, Bravia e um family office. Gustavo entrou para fazer parte de nosso time comercial, a fim de reforçar o relacionamento com investidores. Gustavo é formado em Administração de Empresas pela FGV-EAESP e atua desde 1999 no mercado de capitais, tendo sido sócio da Hedging-Griffo e diretor do Credit Suisse Hedging-Griffo na área de Private Banking.

Agradecemos o apoio e nos colocamos à disposição para conversar sobre qualquer interesse ou dúvida.

Abraços,

Equipe GEO Capital

Esta carta é uma publicação realizada com o propósito de divulgar informações e não deve ser considerada como uma oferta de venda dos fundos da GEO Capital e/ou recomendação de investimentos em nenhum dos valores mobiliários. Os julgamentos, dados e valores mobiliários citados são apenas opiniões expostas e válidas até a presente data. Tais opiniões, podem mudar sem aviso prévio a qualquer momento. Performance passada não é necessariamente garantia de performance futura. Os investidores em fundos não são garantidos pelo administrador ou por qualquer mecanismo de seguro ou ainda, pelo fundo garantidor de crédito (FGC).
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