fbpx

5 Dicas essenciais para montar um processo de decisão

Escrito em ago/2018

Investir trata-se de uma prática racional, que exige muito estudo e dedicação. E a tomada de decisão é crucial na escolha dos ativos para alocação de capital.

Na GEO, decidimos selecionar um grupo de 60 empresas de qualidade fora do Brasil para investir em suas ações, com o objetivo de obter valorização do patrimônio no longo prazo.

Há cinco anos, desde a nossa fundação, temos trabalhado para construir esse universo de empresas de qualidade e tomar nossas decisões de investimento. Posso afirmar que estamos bastante contentes com a evolução que tivemos neste período e isso tem dado muito certo para nós. Foram muitas discussões e aprendizados para chegarmos às ideias vencedoras (até então). Separei cinco delas aqui.

1. Somos enviesados: mapeie os pontos cegos das situações

Nós somos seres humanos, muitas vezes, incapazes de enxergar os próprios vieses cognitivos. É comum enxergarmos preconceitos em outras pessoas e não conseguirmos reconhecer em nós mesmos. Isso faz com que o processo decisório seja afetado, pois deixamos de enxergar informações relevantes para a tomada de decisão.

Aprendemos a lidar com esse viés por meio de debates. Sempre que precisamos tomar uma decisão muito importante, pegamos opiniões de pessoas com diferentes pontos de vista, de tal forma a iluminar os pontos cegos e ter uma visão 360˚ sobre o assunto.

2. Permita-se mudar de ideia

Um aprendizado muito importante que tivemos é sobre estarmos abertos a mudar de ideia. A qualquer momento, podemos chegar a uma nova conclusão que exija uma mudança de postura; sendo assim, precisamos estar desapegados para poder transitar entre as opiniões. Uma frase que costumamos dizer aqui é “strong convictions, loosely held” (ou “fortes convicções com pouco apego”). Em outras palavras, escrevemos nossas opiniões à lápis e, se for preciso, nós as apagamos e escrevemos por cima as novas ideias.

3. Se mudar de ideia, assuma a nova postura imediatamente

Isso é muito importante para não cairmos no viés conservador – muitas vezes é difícil se desfazer de uma opinião com a qual estamos acostumados. Precisamos ter disciplina, pois quanto antes aceitarmos a “nova melhor opinião”, conseguimos minimizar a margem de risco dos eventos que estão fora do nosso controle.

Como isso se dá na prática em nosso dia a dia? Um bom exemplo para ilustrar é quando alteramos a nossa opinião a respeito de uma empresa. Imagine que, por conta de algum fato ocorrido ou simplesmente por revisão da tese de investimento, chegamos à conclusão de que uma empresa não tem mais os pilares necessários para passar por nosso filtro de qualidade como tivera anteriormente. Isso nos leva a rebaixar a nota de uma empresa e, consequentemente, vender suas ações imediatamente e retirá-la do universo de cobertura – independentemente do retorno que trouxera para o fundo.

4. A ação “está caindo” ou a ação caiu?

O primeiro fato que devemos levar em conta é que nunca sabemos para onde uma ação vai. Ou seja, existe uma diferenciação entre o que aconteceu com a ação até o momento presente e o que “está acontecendo”. Normalmente, quando atribuímos o gerúndio a essa frase, é porque assumimos que a ação vai continuar no rumo que veio até então (continuar caindo, ou continuar subindo). Neste momento, preferimos dizer que a ação caiu (ou subiu) e que não sabemos para onde ela vai seguir.

Existe um viés nesses casos que é atribuirmos maior peso a eventos recentes, ou seja, assumir que, já que a ação passou por quedas recentes, provavelmente não é um bom momento para investir, pois ela ainda deve cair mais. No entanto, se uma ação passou por quedas recentes e a empresa continua com a mesma qualidade, esse pode ser um ótimo momento para comprá-la. O que se pode afirmar nesse momento, é que a ação está num preço mais barato do que estava antes das quedas, e isso portanto é uma oportunidade de ganho.

5. Saiba classificar acertos e erros – também podem ser sorte ou azar

Para cultivar um processo de tomada de decisão, é fundamental estabelecer uma análise para avaliar se a decisão tomada foi boa ou ruim. Em termos práticos, precisamos julgar acertos e erros, que, muitas vezes, se confundem com casos de sorte e azar. Todas as combinações são possíveis. Uma ação que trouxera um resultado positivo e teve sua nota rebaixada, foi um erro que deu sorte. Uma empresa que consideramos de altíssima qualidade e nos trouxe um resultado negativo pode ser considerada um acerto que deu azar, já que no longo prazo esperamos valorização das ações que compramos.

O problema é quando não se consegue distinguir um acerto de uma sorte, por exemplo, pois isso pode levar a crer que, por uma ação ter trazido retorno positivo, foi um acerto – esse é o viés de resultado. Por isso é ideal saber reconhecer os próprios erros para que não se repitam.

Esses pontos nos fizeram evoluir significativamente em nosso processo de investimento e servem como princípios balizadores dessa construção. Acreditamos que, somados a um trabalho consistente e documentado, levam ao estabelecimento de uma cultura de alta performance.