Diversificação e o mercado de alta

Escrito em fev/2020

Por Daniel Martins, CEO e Diretor de Investimentos da Geo Capital, gestora de investimentos em ações globais

O ano de 2019 foi bastante positivo para o investidor brasileiro. O Ibovespa, principal índice do país, fechou o ano com uma valorização de 31,6%, impulsionado pela queda de juros no Brasil e pela aprovação da reforma da Previdência.

Quem optou por investir seus recursos em estratégias de ações internacionais também tem motivo para comemorar. O S&P 500, um dos principais índices americanos, subiu 28,9% no ano passado; enquanto o Nasdaq, com perfil mais ligado à tecnologia, avançou 35,2%. Um ponto importante que, apesar de óbvio, muitas vezes passa desapercebido é que enquanto o retorno do Ibovespa é medido em reais, o retorno dos índices americanos é medido em dólares.

Ou seja, o investidor que optou por alocar seus recursos em ações internacionais em 2019 não deixou “dinheiro na mesa” – teve frutos vindos da estratégia em si, medida em dólares, e também da desvalorização do real. Entretanto, tão importante quanto analisar o retorno de um período é verificar o risco a que o investidor se sujeitou para obter este mesmo retorno.

Embora não única, a volatilidade das carteiras é uma das medidas de risco para o investidor mais utilizadas, uma vez que ela dita a intensidade das oscilações de seu investimento em um dado período de tempo. Em outras palavras, quanto maior a volatilidade de uma carteira, maior a “sensação de risco” por parte do investidor, dado que o valor de seus investimentos “chacoalha” mais.

Ao compararmos as volatilidades dos índices acima em 2019, notamos algo interessante. Enquanto a volatilidade (ou medida de risco) do Ibovespa foi de 18% no período, tais medidas do S&P 500 e Nasdaq foram, respectivamente, 12.4% e 15.6%. O fundo GEO Global Equities, veículo brasileiro criado pela GEO Capital para se investir em ações globais, por sua vez, teve uma volatilidade de 13.7% no período. Por mais que tenham todos tido retornos parecidos em 2019, as estratégias internacionais se mostraram com bem menos risco, quando medidas por suas volatilidades.

Melhor resultado teve aquele investidor que combinou as duas estratégias. De fato, o investidor que optou por ficar 50% investido no Ibovespa e 50% em um fundo com ações globais, como o GEO Global Equities, ao longo de 2019 teve não só apenas os mesmos patamares de retorno dos índices – 34.1% –, mas também uma menor volatilidade (ou “sensação de risco”: apenas 10.5%). Isso só se torna possível porque, ao combinar ativos não correlacionados (ou pouco correlacionados) entre si, a volatilidade combinada fica menor do que aquela dos ativos isolados, resultando em uma queda muito brusca do risco da carteira como um todo (no caso específico acima, a correlação dos retornos das duas estratégias foi de -0.14 ao longo de 2019).

Acreditamos que todos os investidores brasileiros se beneficiariam em ter ativos internacionais em suas carteiras, uma vez que tais investimentos possuem a característica de serem pouco correlacionados com os ativos no Brasil. Este é o valor da diversificação: adicionar ativos com potencial de ganho similar, como bem nos mostrou o ano de 2019, mas com perfis de risco diferentes, resultando em um menor risco da carteira como um todo.