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O mundo que o brasileiro não viu, de novo.

Escrito em abr/2019

Nos últimos dois trimestres (setembro a dezembro de 2018 e janeiro a março de 2019) um fato bastante comum quando se trata de investimentos se repetiu: o brasileiro olhou só para o Brasil, investiu numa única narrativa, não diversificou e, assim, correu mais risco.

Na noite do ano novo quem tivesse lido jornais e revistas especializadas em investimentos nos dias anteriores e não tivesse lido meu último artigo (https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/onde-investir-no-ano-que-vem/), teria uma certeza: investir em ativos brasileiros.

Naquele momento se encerrava um ano de muitas discussões e eventos (crise dos caminhoneiros, copa, eleição) mas tudo parecia ter entrado nos eixos, afinal, Deus é brasileiro!

Nos últimos três meses do ano de 2018 o índice Bovespa subiu mais de 11% e, olhando para 2019 só havia uma possibilidade: para o alto e avante! Paulo Guedes, Moro, reforma da previdência, não tem como dar errado.

Mas, e a diversificação, eu perguntaria. Sugiro também investir em ações de empresas que não são listadas na B3.

Não! Olha o que tá acontecendo no mundo! O dólar vai derreter frente ao real, e, além do mais, você não lê jornal? EUA e China estão em guerra comercial! Não viu que nesses últimos 3 meses de 2018 o índice de ações globais (MSCI World) caiu quase 14%? O mundo está em crise!

Investir é lidar com incertezas. Muitos cenários são possíveis, com diferentes probabilidades e, atenção agora, por favor, sempre que só uma possibilidade lhe for apresentada e lhe for sugerido que invista levando essa “certeza” em consideração, não invista, questione!

Mas a leitura de que a bolsa brasileira iria continuar subindo com certeza e o mundo derreteria prevaleceu e, terminado o primeiro trimestre de 2019, qual foi o cenário que, até aqui, se materializou?

O Ibovespa no primeiro trimestre de fato subiu 8,56% enquanto o MSCI (que certamente cairia) subiu 11,78%! Assim, os investidores que compraram a certeza de Brasil acima de tudo e mundo em crise correram mais risco pois não diversificaram e, em alguma medida, perderam no processo boas oportunidades.

Na GEO, olhamos para o mundo e investimos em empresas que vendem seus produtos ou prestam serviços globalmente (inclusive no Brasil) e acreditamos que, enquanto as narrativas vão de uma certeza a outra, as boas empresas seguem vendendo, crescendo, defendendo seus lucros e vantagens competitivas. E, nesse primeiro trimestre de 2019 muitas delas tiveram altas fortes! Entre as posições de nossos portfolios estão, por exemplo, Moodys (+29% no ano), AB Inbev (+27% no ano), Tiffany (+29% no ano) e Comcast (+16%), isso para citar apenas alguns exemplos.

Infelizmente, como eu mencionei no início, esse não foi um evento especial, mas sim a regra. Enquanto tratarmos a diversificação internacional como uma estratégia tática e não uma regra estrutural de nossos portfolios, seguiremos perdendo oportunidades e, pior, correndo mais risco!

Nos últimos dois trimestres (setembro a dezembro de 2018 e janeiro a março de 2019) um fato bastante comum quando se trata de investimentos se repetiu: o brasileiro olhou só para o Brasil, investiu numa única narrativa, não diversificou e, assim, correu mais risco.