Ações da Tesla, Apple e Google despencam: acabou a empolgação com as big techs?

Depois de terem capitaneado a veloz recuperação das bolsas de valores globais do choque do coronavírus no mercado e batido valores recordes, as ações das grandes empresas de tecnologia estão passando por dias difíceis.

São empresas como Amazon, Microsoft, Facebook, Tesla e Alphabet (dona do Google) que, se tiveram escaladas surpreendentes nos últimos meses, com altas superiores a 100% no preço de suas ações, estão desde a semana passada amargando correções fortes. Não à toa, figuram entre as companhias mais valiosas das bolsas de valores norte-americanas e estão puxando todos os índices para baixo junto com elas.

O Nasdaq Composite, índice de Nova York que reúne as principais companhias de tecnologia do país, fechou esta terça-feira (8) em queda de 4,1%. Foi a terceira retração seguida, em uma espiral que, só nesses três dias, tirou 10% de seu valor de mercado.

Isso acontece depois de uma onda de otimismo que fez o índice bater diversos recordes históricos nos últimos meses, mesmo em meio à maior recessão a que o planeta deve assistir desde pelo menos a Segunda Guerra Mundial.

Vendas que dispararam e lucros recordes, enquanto o resto do mundo desmoronava, ajudaram a sustentar as altas. AmazonMicrosoft e Apple são apenas algumas do universo tecnológico que ganharam com o crescimento forçado no mundo digital na pandemia e que surpreenderam o mercado com os seus resultados.

A subida no preço das ações, entretanto, começa a parecer ter acontecido mais rápido do que a realidade, e é muito provavelmente o que está por trás da venda em massa desses papéis nos últimos dias. De acordo com analistas, trata-se de uma revisão muito mais ligada ao setor do que um freio nas bolsas de valores como um todo.

Para eles, o Brasil também deve e já sente respingos, com o Ibovespa custando a se manter nos 100 mil pontos e as “techs” do país também perdendo valor depois de liderarem as altas do ano, caso da Magazine Luiza e da B2W. Mas, como a bolsa brasileira já tinha subido menos que as americanas, o ajuste também tende a ser menor.

“Tinha havido um descolamento claro entre essas empresas ditas de tecnologia e o restante, muitas ficaram caras, e isso está agora passando por uma correção, para elas voltarem a se reaproximar do nível das outras”, disse Gustavo Aranha, sócio da GeoCapital, gestora brasileira especializada em fundos de ações estrangeiras.

Nasdaq x S&P 500

Isso explica, de acordo com ele, o fato de o S&P 500, índice mais abrangente do mercado acionário norte-americano, também estar caindo, mas em proporção menor. O raciocínio é simples: como o S&P 500 subiu menos que a Nasdaq, agora cai menos também.

O S&P 500 encerrou a sexta-feira em queda de 2,8%, ante os mais de 4% perdidos no dia pela Nasdaq. Desde o pior momento em março (23/03), o índice amplo subiu 49%, enquanto o de tecnologia subiu 58%.

No ano, o S&P sobe 3%, enquanto a Nasdaq ainda acumula uma alta de 20% – deixando claro que a correção atual ainda está longe de zerar os ganhos de que entrou na hora certa.

“O S&P 500 tinha subido bastante também, mas muito por causa das grandes ações de tecnologia, que representam 20% da composição dele; é diferente do Nasdaq, que é inteiro tecnologia”, disse Aranha, da GeoCapital.

O S&P 500 é o índice da bolsa de Nova York que reúne as 500 maiores companhias listadas no país. As cinco primeiras da lista são hoje as “big 5” da tecnologia:  pela ordem, Apple, Microsoft, Amazon, Facebook e Alphabet. Elas tomaram ao longo dos últimos anos o posto de antigas líderes como a petroleira Exxon Mobil e fabricante industrial General Eletrics.

Ainda assim, segue sendo uma carteira enormemente diversificada, com empresas dos mais diferentes setores (indústria pesada, energia, bens de consumo, varejo, serviços públicos e outros).

“Os outros setores também estão caindo, mas em magnitude bem menor”, disse o gestor da Infinity Asset Victor Hasegawa, citando o desempenho no dia de outros índices da Bolsa de Nova York, com o de serviços públicos (“utilities”) e o de mercado imobiliário, que caíam menos de 1%.

“Não teve nenhum grande dado econômico que pudesse justificar uma virada nas bolsas, pelo contrário, os dados até começaram a vir melhores do que o esperado”, disse Hasegawa. “É por isso que esse movimento, agora, mostra ser principalmente uma correção técnica.”