‘Estamos em um mundo caro. Não dá mais para comprar ações aleatoriamente’, diz sócio da Geo Capital

A

entrevista com um dos sócios da Geo Capital, a única gestora brasileira 100% focada em investimentos em ativos no exterior, começa com uma provocação: “não está tudo muito caro na bolsa americana? O S&P 500 (principal índice de ações dos EUA) está perto das máximas e muitos economistas acham que vai cair este ano”. Gustavo Aranha concordou que os preços estão esticados, mas ainda assim defendeu a compra de ações lá fora.

“Parece que estamos em um mundo caro. Mas ainda há coisas muito baratas. O que não dá mais para fazer é comprar ações aleatoriamente.”

O executivo faz referência ao investimento em ações via ETFs, os fundos que replicam índices como o S&P 500 ou o Ibovespa. A tendência é que as ações ganhem um peso nesses indicadores na medida em que seu valor de mercado aumenta. “O índice ‘compra’ as ações que estão mais caras”, simplifica Aranha.

Criada em 2013 para oferecer aos brasileiros fundos que investem em ativos no exterior, a Geo Capital tem hoje cerca de R$ 1 bilhão sob gestão.

Aranha admite que o tema não estava na moda nos últimos anos, especialmente diante das boas perspectivas para a bolsa brasileira após a eleição de 2018. Ele lembra, no entanto, que os ativos no exterior são um caminho de diversificação e proteção de patrimônio.

“O Brasil é um país emergente que está arrumando a casa e pode ter muitas oportunidades. Mas você apostaria todas as suas fichas no país? Não é uma questão de investir no Brasil OU fora. É ‘E’. É um investimento complementar.”

Ele lembra ainda que as ações listadas na bolsa brasileira representam apenas 1% do valor de mercado das companhias abertas em todas as bolsas globais.

O que está no radar

Os fundos da Geo Capital hoje investem em 12 empresas globais, que são companhias que passaram pelo seu crivo de avaliação e que os gestores consideram que estão com preços atrativos, como Disney, AB Inbev e LVMH.

Há, no entanto, outras 50 no radar da Geo. “Essas são companhias que atende os requisitos do nosso comitê de investimentos, mas hoje estão caras. Estamos monitorando os preços para tentar um ponto de entrada.”

A recente queda no preço das ações provocada pelo surto de coronavírus abriu oportunidades para a Geo Capital investir em mais companhias ou mesmo ampliar posições em negócios que já estavam na carteira.

Uma das empresas que entrou no portfólio foi a rede de hotéis Marriott, negociada na Nasdaq. A ação encerrou 2019 cotada a US$ 151,43, mas chegou a perder quase 9% do seu valor no fim de janeiro. Em fevereiro caiu ainda mais e fechou na última terça-feira em US$ 124,08.

A Geo Capital também aplicou a posição na carteira de ações da empresa de reserva de hotéis Booking. No fim de janeiro, a ação da companhia valia cerca de 11% menos do que no início do ano, diante das preocupações com o efeito do coronavírus no segmento de viagens.

“Ainda não conhecemos completamente os efeitos do coronavírus. Mas a nossa percepção no momento é de que o mercado tirou muito valor das companhias de viagem em relação às possíveis consequências”, afirmou Aranha. “Foi um ponto de entrada para algumas ações que antes estavam caras.”

3 critérios para monitorar

Antes mesmo de monitorar o preço, a Geo Capital examina três critérios para definir se vale a pena investir em uma ação. Interessam as companhias que têm esses três fatores em comum:

  1. Poder de preço. Isso significa que ela é grande o suficiente para ditar preço, tem uma marca forte e, eventualmente, também está em um mercado com alta barreira de entrada.
  2. Potencial de crescimento. Entram para a lista as empresas que têm chances de crescer no seu negócio principal. Ou seja, não precisam inovar ou criar novos negócios para garantir sua expansão.
  3. Cultura de dono. O perfil dos executivos e as regras aplicadas na gestão de recursos humanos e financeiros é um fator decisivo para definir a atratividade de um negócio.

Serviço

A empresa atualmente distribui três fundos, todos para investidores qualificados. Um deles está à venda diretamente com a gestora e têm como aplicação mínima R$ 1 milhão. Nas principais corretoras há a distribuição de duas versões do Geo Empresas Globais, em dólar ou real.

A rentabilidade da versão em reais foi de 15% nos últimos 12 meses, de acordo com informações atualizadas em 20 de fevereiro. Já o fundo em dólar se valorizou 17% em dólar e 38% em reais.

A Geo Capital tem seus fundos distribuídos nos seguintes bancos e corretoras: XP Investimentos, Genial, BTG Pactual Digital, Mirae, Banco Safra, Modal Mais, Banco CSHG e Itaú.