Facebook bate recorde: os escândalos de privacidade foram esquecidos?

SÃO PAULO – Apesar das crises de imagem do Facebook nos últimos três anos, os resultados financeiros divulgados na última quarta-feira (30) mostram que repercussões negativas não foram suficientes para a abalar o negócio de Mark Zuckerberg.

Os resultados vieram na contramão da lógica de analistas: a empresa passou por uma fase muito turbulenta no último ano, o que gerou insatisfação de usuários e atraiu a atenção dos reguladores do mundo todo após uma série de problemas de privacidade, incluindo o escândalo do vazamento de dados da Cambridge Analytica.

André Kim, analista da Geo Capital, explica que considerando os desafios que o Facebook enfrentou em 2018, realmente esperava-se um declínio em 2019. Mas três fatores principais fizeram os resultados serem positivos.

Em primeiro, o crescimento de novos usuários diários na Europa e nos EUA, dois mercados cuidadosamente observados e lucrativos, mas que no ano anterior estavam em declínio. Depois, o anúncio de integração entre WhatsApp, Instagram e Messenger trouxeram efeito positivo; e, por último, a receita média por usuário (ARPU) cresceu ligeiramente para US$ 7,37 – o que anima o mercado.

“O mercado pensa em gerúndio: estava caindo em 2018, continuará caindo em 2019. Mas a quebra de expectativas, faz pensar que agora vai continuar subindo”, diz.

“A integração entre as plataformas da empresa é crucial. Mark Zuckerberg pensa o WhatsApp não apenas como um app de mensagens, mas um app de pagamentos. No futuro próximo, as pessoas poderão fazer transferências e pagamentos. Para o mercado a novidade boa, afinal é uma nova fonte de receita”, explica Kim.

Na teleconferência com analistas, pós divulgação de resultados, Zuckerberg informou que o Facebook está “muito adiantado” no processo de integração de suas plataformas de mensagens e a novidade deve chegar em “2020 ou um pouco mais para frente”.

O analista da Geo Capital acredita que o escândalo de vazamento de dados pessoais, não foi o principal fator que fez com que as ações do Facebook caíssem tanto em 2018.

“O escândalo da Cambridge Analytica, de fato foi ruim para o usuário, mas de forma racional, para o anunciante não foi tão relevante. Quem tomou as dores foram as pessoas que ficaram expostas. O mercado de maneira geral não enxergou isso como algo trágico para o valor da empresa. Até porque o Facebook tomou medidas e leis de privacidade mais rígidas foram aprovadas”, explica Kim.

Segundo ele, a partir disso, o mercado ficou mais satisfeito, a expectativa em relação a um próximo evento como um vazamento de dados diminuiu. “Claro que todas as medidas não garantem que nunca mais vai acontecer. Esse tipo de problema é algo que empresas que mexem com informações pessoais têm de lidar”, diz.

Mas o impacto na empresa em si não foi muito grande. Segundo Kim, é fato que alguns usuários saíram da plataforma, mas a quantidade de pessoas novas que entraram é muito maior, principalmente de regiões sub penetradas como Índia, Canadá, entre outros.

“Rumores diziam que vazamento iria acabar com a plataforma, mas não. Hoje o mercado vê como algo passado. O Facebook é a plataforma mais usada no mundo, mais de 2 bilhões de usuários por mês, e detém WhatsApp e Instagram também. Se as pessoas não usarem esse pacote não se comunicam”, avalia.

Na teleconferência com analistas, o CEO elogiou as medidas tomadas pela empresa no ano passado para lidar com o uso indevido da plataforma, incluindo a criação de sistemas de detecção de inteligência artificial e a contratação de milhares de seguranças da informação para a equipe.

“Há mais o que fazer, mas estou orgulhoso do trabalho que fizemos para enfrentar essas questões. Nós começamos a ter um plano claro para o que precisamos fazer agora”, afirmou Zuckerberg, segundo o site