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O que vale mais a pena: comprar BDRs no Brasil ou ações no exterior?

Ter na carteira os resultados de empresas como Netflix, Disney e Google é um gostinho que o pequeno investidor brasileiro passou a ter em outubro do ano passado, quando os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) passaram a ser negociados na B3. Antes disso, apenas investidores qualificados (com quantias superiores a R$ 1 milhão alocadas em investimentos) podiam comprá-los.

Essa pode ser uma ferramenta de diversificação interessante, já que dá ao portfólio algum acesso ao mercado internacional, de forma simples e acessível, sem a necessidade de operações de câmbio ou abertura de contas em corretoras estrangeiras. Expor-se a outras geografias ajuda também a mitigar o risco Brasil, que subiu bastante com os últimos arroubos intervencionistas na Petrobras.

Os BDR são certificados com lastro em ações de companhias estrangeiras, ou seja, eles representam esses papéis. O banco depositário compra a ação, emite o recibo e o oferece para negociação na Bolsa. Ao adquirir esse recibo, o investidor passa a usufruir de todos os direitos que um acionista teria.

“Você não é dono da ação, mas, para fins práticos, usufrui de todas as vantagens dela, inclusive o recebimento de dividendos“, explica Murilo Breder, analista de renda variável da Easynvest. “Ser possuidor da própria ação só faria diferença para acionistas milionários, que ao adquirir grande número de cotas da empresa teriam direito de voto.”

O recibo é um espelho da performance do papel em que está lastreado. Se a ação sofrer alta ou baixa, o BDR seguirá a mesma trajetória. Além disso, por ser um ativo dolarizado, a variação cambial – positiva ou negativa – também será repassada à carteira do investidor. “Se a cotação da ação não mudou, mas o dólar subiu 5%, o BDR também vai subir”, diz Breder.

Se o BDR tem resultado similar ao da ação que representa, isso não significa que a decisão de adquiri-lo não tenha outras diferenças práticas em comparação com a compra da própria ação no Exterior.

Onde o BDR leva vantagem:

É bem mais conveniente. O investidor faz as transações em reais, sem a necessidade de fazer câmbio ou enviar dinheiro para fora (o que também teria custos). Basta ter conta em uma corretora brasileira e proceder de forma idêntica à compra e venda de ações na B3 – dá até para usar o home broker. “Já para comprar ações no exterior, é preciso abrir conta em uma corretora estrangeira, fazer a remessa dos recursos e só então comprar o ativo”, compara Gustavo Aranha, sócio e diretor de distribuição da GeoCapital.

É mais fácil ficar em dia com o fisco. No BDR, basta recolher Imposto de Renda (15% sobre o ganho de capital obtido) no ato da venda. Algo simples de resolver. “Com a ação no exterior, é preciso preencher um carnê leão todo mês, pagando imposto não só sobre a rentabilidade da ação no período, mas também os reflexos da valorização do dólar. É bem mais complexo”, diz Aranha.

(Por falar em tributação, vale observar que, ao contrário do que ocorre no Brasil, os dividendos pagos por empresas americanas são tributados, com alíquota de 30%. A instituição depositária do BDR vai repassar os dividendos já com esse desconto ao investidor – e ainda descontará uma taxa de 3% a 5% sobre o valor dos proventos).

Por que comprar ações lá fora é melhor:

A variedade de ações espelhadas em BDRs é limitada. Há cerca de 700 BDRs disponíveis para o investidor brasileiro – o que representa apenas uma fração das mais de 3 mil empresas listadas na Bolsa de Nova York, por exemplo. Mas, para Breder, isso não chega a ser um problema para o investidor comum. “Ele só não será bem assistido pelos BDRs se quiser alguma empresa fora da curva, de um setor específico. No mais, todas as grandes empresas dos EUA estão lá“, afirma o analista.

Outra opção para o investidor que quiser se expor a um leque mais diversificado de empresas é investir por meio de um fundo. “O gestor vai pescar ações livremente para a carteira. O investidor pessoa física consegue ter exposição, sem a complexidade de comprar os papéis lá fora”, explica Aranha.

A liquidez da ação original é bem maior que a do BDR correspondente. Isso se justifica pela própria diferença nos volumes negociados. “Veja quantas ações da Apple são negociadas em um dia em Nova York e quantos BDRs da Apple são negociados em um dia na B3. Não há nem comparação”, diz Aranha.

Breder pondera, no entanto, que a situação dos BDRs melhorou muito depois que o BC autorizou empresas a atuarem como contrapartes nas transações. “Essas empresas, chamadas de market makers, dão liquidez aos papéis. O investidor lança uma ordem de venda, espera um pouco e já consegue negociar o papel.”

Isenção de IR sobre ganho de capital. Com ações no exterior, o investidor só tem de pagar IR sobre ganho de capital se vender mais de R$ 35 mil em ações no mesmo mês. Já os BDRs não têm essa benesse: o investidor sempre paga 15% de IR sobre ganho de capital, qualquer que seja o valor vendido. “A grande pergunta é: vale a pena investir em BDR e pagar IR, em troca da comodidade? Ou o investidor prefere ter o trabalho de investir no exterior, para poder escapar do IR?”, pondera Breder.18